As muitas quedas do céu
ensaio sobre o platonismo jambliqueano como hermenêutica intercultural
DOI:
https://doi.org/10.24277/classica.v38.2025.1165Palavras-chave:
Platonismo; Simbolismo; Etnografia, Antropologia SimbólicaResumo
O presente ensaio é fruto de algumas inquietações desencadeadas pela leitura de duas importantes etnografias para o conhecimento do pensamento indígena americano: A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, e a série de relatos do Alce Negro, xamã dos Oglala-Sioux, na América do Norte, ao poeta John Neihardt e ao antropólogo Joseph Epes Brown. O objetivo geral não é resumir ou sintetizar as ideias contidas em tais etnografias, mas delinear, através da recorrência a um breve estudo sobre as ideias teúrgicas e mágicas derivadas do neoplatonismo de Jâmblico, as possibilidades, no seio da tradição dita “ocidental” ou greco-latina, da formulação de uma teoria da cultura capaz de dialogar com o pensamento indígena e pensar a contemplação da natureza e do mundo natural como linguagem simbólica, anagógica e teofânica, reveladora de mistérios fundamentais para a arquitetura multiontológica do mundo. O resgate de correntes ditas ‘subterrâneas’ do pensamento grego, como a citada metafísica simbolista de Jâmblico, seria especialmente relevante para as discussões contemporâneas sobre a interculturalidade e sua relação com a dessacralização do mundo natural e o debate sobre a oposição ou complementariedade entre o pensamento do Ocidente (supostamente de matriz helênica) a respeito da natureza e os dos povos chamados de “não-ocidentais”. A investigação desembocará em uma discussão sobre a revalorização dos modos de pensar ‘simbólicos’ ou ‘não-dualistas’ e na apreciação de seus eixos interpretativos sobre a natureza como possibilidade de superação de alguns dos dilemas teológicos, filosóficos, éticos e estéticos resultantes do processo de ‘desencantamento do mundo’, fenômeno que poderia ser atribuído ao dualismo metafísico inaugurado por certas interpretações do platonismo e do cristianismo.
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