O artífice e o poeta

os epigramas plástico-eróticos de Rufino e a emulação nas artes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24277/classica.v34i2.860

Palavras-chave:

Rufino , epigrama grego , poesia erótica , descrição , emulação

Resumo

O presente artigo tem como foco Rufino, poeta grego sobre o qual pouco se sabe, cujos poemas supérstites estão conservados no quinto livro da Antologia Grega ou Palatina. Meu objetivo principal é discutir um certo conjunto de epigramas em que o poeta descreve tipos femininos cujas graças rivalizam com as deusas – em alguns deles, inclusive, o poeta reelabora em chave epigramática o tema do Julgamento de Páris –, com o intento de demonstrar que, ao emular pintores e escultores, Rufino, em seus poemas plástico-eróticos, põe em cena aspectos importantes relacionados à composição artística de um modo geral baseados na emulação, de maneira que, por tudo isso, seus epigramas não seriam somente eróticos, mas comportariam também uma dimensão programática.

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Biografia do Autor

Alexandre Agnolon, Universidade Federal de Ouro Preto

Alexandre Agnolon possui Graduação em Letras, com habilitação em Português e Latim, pela Universidade de São Paulo. É Mestre e Doutor em Letras Clássicas pela mesma Instituição. É também Professor Adjunto de Estudos Clássicos do Departamento de Letras do Instituto de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Ouro Preto.

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Publicado

08-09-2021

Como Citar

Agnolon, A. (2021). O artífice e o poeta : os epigramas plástico-eróticos de Rufino e a emulação nas artes. Classica - Revista Brasileira De Estudos Clássicos, 34(2), 1–20. https://doi.org/10.24277/classica.v34i2.860